Trânsito mata mais que a violência no Paraná

2 de setembro de 2010

Estudantes do Movimento Passe Livre, plantaram cruzes como alerta à violência no trânsito (foto: Franklin de Freitas)

Com informações de www.bemparana.com.br

Dados do estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2010 (IDS) divulgado pelo IBGE, ontem, mostram uma particularidade. Em oito estados, incluindo o Paraná, as mortes em acidentes de trânsito são mais altos que os homicídios. Os dados tabulados a partir de números de 2007 apontam que aqui, de cada grupo de 100 mil habitantes, foram 30,4 mortes de trânsito e 29,5 assassinatos. Os números no Estado estão acima da média nacional nos dois quesitos. No mesmo período foram 25,4 mortes em acidentes de trânsito em cada grupo de 100 mil pessoas e 20,3 homicídios, também por cada grupo de 100 mil.

Os dados são do quarto IDS. O último havia sido divulgado em 2008, com dados compilados de 2004. Naquele ano, os acidentes de trânsito matavam 31 pessoas em cada grupo de 100 mil no Paraná. A média de homicídios no País em 2004 era de 26,9, maior que neste estudo. O Paraná, também tinha média maior que a nacional.
Esse tipo de estudo serve para nortear as políticas de estados e da União. No caso paranaense, mostra que os dois quesitos precisam de atenção. Mas também apontam que a questão das ruas é tão importante quanto a segurança pública.

Manifestação — E foi para chamar a atenção para esse problema — a violência no trânsito — que estudantes ligados ao Movimento Passe Livre plantaram cem cruzes na Praça Tiradentes, na manhã de ontem. O local foi escolhido porque ali, no dia 14 de junho, um ônibus Ligeirinho sem controle invadiu uma loja matando duas pessoas e ferindo 33. Os estudantes queriam denunciar tanto os abusos no trânsito que matam centenas de pessoas todos os anos, quanto a precariedade do sistema de transporte público.

Ainda ontem, um ônibus biarticulado bateu em quatro carros que estavam estacionados no bairro Mossunguê. Cerca de 12 pessoas ficaram feridas. O Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) afirmou que o ônibus estava desgovernado e então atingiu os veículos. Testemunhas disseram que o veículo estava em alta velocidade quando colidiu com os automóveis. Números do Detran-PR, mostram que enquanto a frota de ônibus e micro-ônibus representam apenas 1% da frota de Curitiba, por exemplo, estão em mais de 10% dos acidentes na Capital.

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Beto Richa vai abrir escolas à comunidade aos fins de semana

1 de setembro de 2010

Beto Richa anunciou em seu programa de TV, no horário eleitoral gratuito, que vai abrir as escolas estaduais para a comunidade nos fins de semana.

Com informações de www.tnnoticias.com.br

Beto vai levar para todo o Estado o programa Comunidade Escola, que funciona em Curitiba desde 2005. Beto defendeu o ensino médio técnico profissionalizante, solução para o transporte escolar e a valorização do professor da rede estadual e das universidades. “Educação é a prioridade número um no meu governo. A base para todo o nosso trabalho é a qualidade no ensino e o respeito ao professor”, afirmou Beto.

No governo Beto Richa, nos fins de semana, as escolas vão oferecer lazer, cultura e formação para a comunidade. As atividades são escolhidas pela própria população vizinha da escola. “Dá para ficar mais com a criança e conhecer mais a escola, participar das brincadeiras e aprender muita coisa”, disse Camila Massanika, mãe de aluno que participa do programa curitibano.

Outra proposta de Beto Richa são as atividades de contraturno escolar. “Ensino integral para todos é um sonho, um sonho a ser conquistado gradativamente. Por isso vamos concentrar as escolas em tempo integral, com 8 horas de aula e atividades educacionais, nas regiões que mais precisam”, disse o senador Flávio Arns, vice de Beto Richa.

O programa de contraturno será oferecido, inicialmente, para 500 escolas estaduais das regiões mais carentes do Paraná, onde é mais baixo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Nos horários em que não tem aula, as crianças vão ter atividades como música, artes, esportes e, principalmente, reforço escolar, na própria escola. “Meu filho vai para a sala de aula, faz a lição, participa de leitura. E agora usa também computador”, disse Matilde Amaral, mãe de Alisson, beneficiado pelo contraturno em Curitiba.

Beto Richa também assumiu o compromisso de resolver o problema do transporte escolar, que hoje onera os municípios. “O custo para as prefeituras é pesado e o Estado não assume a sua parte. E o pior: crianças ficam sem aula. Vamos trabalhar junto com as prefeituras para garantir que nossas crianças tenham acesso à escola e ao ensino de qualidade”, disse Beto.

Outra ação na área de Educação é a criação do ensino médio técnico profissionalizante, atendendo vocações de cada região. A intenção é capacitar trabalhadores para que possam se inserir no mercado de trabalho. “Vamos incentivar as prefeituras na criação de cursos para formar mão-de-obra capaz de dar sustentação ao desenvolvimento do município”, disse Richa. Em Curitiba, atualmente são oferecidos mais de 100 cursos gratuitos para a população, como informática, línguas estrangeiras, manicure, panificação, várias áreas da construção civil, de tecnologia da informação e de serviços.

Richa também garantiu valorizar os profissionais da educação. Serão abertos concursos públicos e será ampliado o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE). “Vamos melhorar o salário dos professores, como fizemos em Curitiba, que subiu 84% em cinco anos”, disse Beto. “A valorização dos professores começa com a formação continuada, o que melhora o nível do ensino. Também queremos reduzir a sobrecarga de trabalho, reduzindo o número de estudantes por sala de aula.”

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Beto Richa vai apoiar tratamento de dependentes químicos

31 de agosto de 2010

Com informações de www.tnonline.com.br

O candidato vai aproveitar a boa experiência das comunidades terapêuticas mantidas pelas igrejas

Em reunião na tarde desta segunda-feira (30) com o padre Carlos Alberto Chiquim, secretário executivo da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Paraná, e um grupo de religiosos católicos, Beto Richa se comprometeu a apoiar o trabalho de comunidades terapêuticas para tratar dependentes químicos “Este grupo de lideranças manteve encontros com o senador Flávio Arns, seu vice, e juntos elaboramos propostas para ajudar seu plano de governo na área social e para que tenhamos uma porta aberta para o diálogo com o governo”, explicou padre Chiquim.

Richa lembrou que fez grandes parcerias com as organizações sociais na Prefeitura de Curitiba. “Um excelente exemplo de boa parceria em Curitiba é a administração dos Restaurantes Populares, feita pela Ação Social do Paraná, coordenada pelo Padre José Aparecido Pinto”, disse. “Conheço e valorizo o trabalho que a Igreja Católica faz, porque em algumas áreas é melhor do que o trabalho do poder público. E nossas portas estarão sempre abertas para quem está disposto a colaborar para ver um Paraná melhor”, afirmou.

Beto Richa vai aproveitar a boa experiência das comunidades terapêuticas mantidas pelas igrejas para tratar e recuperar dependentes químicos, problema que afeta as famílias e impacta diretamente nas ações ligadas à segurança e à saúde pública. “Onde existe a comunidade terapêutica é muito melhor para o governo, porque não precisamos investir em novas estruturas. Basta apoiar o trabalho existente”, afirmou Richa.

Os religiosos pediram atenção especial da política social para promoção dos mais pobres no Paraná, com ações para melhoria da distribuição de renda e fortalecimento dos pequenos agricultores, pequenas empresas e pela promoção do trabalho e emprego; outra proposta é o incentivo ao Turismo Religioso Sustentável, dando continuidade à Comissão de Desenvolvimento do Turismo e apoio aos Santuários do Paraná; propõem que o programa social do governo estadual atue de forma integrada com as obras sociais da igreja na promoção humana, com aporte de recursos em iniciativas como as casas de recuperação de dependentes químicos e na Pastoral Rodoviária, em Paranaguá; entre outras propostas.

Participaram do encontro os padres Carlos Alberto Chiquim (CNBB); Joaquim Parron (Província dos Missionários Redentoristas); Carlimar Gonçalves de Holanda (Diocese de Paranaguá); Primo Aparecido Hipólito e Celso Vieira da Cruz (Santuário Nossa Senhora do perpétuo Socorro); Ademar Maia (Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio); Marino Galvão (assessor da CNBB); Frei Anderson Lúcio Rosa e Geraldino do Espírito Santo (Comunidade Monte Castelo).

Pesquisa aponta perfis de usuários de crack e consequências da droga

26 de agosto de 2010

G1

Entorpecente está em todas as camadas sociais.
Análise foi feita durante um ano e meio.

Especialistas consideram o consumo de crack um problema de saúde pública. A solução, ou pelo menos uma diminuição significativa do número de casos de dependência, é um desafio para as autoridades.

Uma pesquisa desenvolvida pela PUC Minas abordou o assunto. O professor Luis Flávio Sapori, sociólogo, coordenador da pesquisa e do Centro de Pesquisas em Segurança Pública da universidade, e a professora e antropóloga Regina Medeiros comentam sobre a análise que aborda o assunto.

“Os trabalhos foram realizados ao longo de um ano e meio – de dezembro de 2008 a julho de 2010 – com recursos do Governo Federal e que envolveram professores do curso de Ciências Sociais da PUC e de pesquisadores do Centro Mineiro de Toxicomania (CMT)”, explicou Sapori. O objetivo foi saber como o consumo do crack impacta na segurança e na saúde pública.

“Uma das conclusões é de que não é possível ter um perfil do paciente que usa a droga. Identificamos três diferentes. O psicótico, que tem comprometimento mental por causa do uso do crack. O segundo é o marginal travestido de usuário, que é aquele que, de certa forma, comercializa a droga e vive fugindo da polícia. O terceiro é o que chamamos de neurótico compulsivo, do tipo de paciente que quer tratamento e tem consciência da sua situação”, disse a antropóloga Regina Medeiros.

A especialista fala ainda que, anteriormente, o crack estava relacionado à população mais pobre, aos negros. Atualmente, a droga é encontrada independentemente de sexo, cor, posição social. “A situação é ainda mais grave”, disse Regina.

Sapori falou que o tratamento é muito difícil porque as pessoas estão despreparadas e precisam de um saber aprimorado e de definir metodologias.

“A pesquisa concluiu que o efeito da droga gera violência. O tráfico gera uma epidemia homicídios e roubos”, destacou Sapori.

Segundo a pesquisa, o crack gera um endividamento muito grande por causa da compulsão do usuário. “Daí vem os homicídios. O efeito da droga é muito rápido e a pessoa tem o desejo de consumir compulsivamente. A princípio ele é barato, mas, depois, sai caro”, completou Sapori.

Sapori finalizou dizendo que o problema do crack é um desafio para o próximo presidente da República e que merece uma ação na segurança e na saúde públicas.

PAC do Crack só vai apagar incêndio

25 de agosto de 2010

Época São Paulo

A lei que institui o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack foi assinada pelo Presidente Lula em 20 de maio. Desde então, surgiu entre os profissionais especializados na abordagem da dependência química aquilo que a psiquiatra Ana Cecília Roselli Marques chama de “briga de foices”: gestores de hospitais e equipes de saúde discordam de algumas medidas impostas e consideram outras inócuas. Coordenadora do Departamento de Dependência em Álcool e Drogas da Associação Brasileira de Psiquiatria, Ana Cecília afirma que uma política nacional anti-drogas não pode, como acontece com o “PAC do crack”, voltar-se quase que exclusivamente para o manejo dos dependentes, com propostas remediadoras, enquanto o Brasil vive uma onda crescente de novos usos. “Ninguém começa fumando crack”, ela afirma, propondo mais atenção à prevenção e à geopolítica das drogas. “O que está acontecendo nas nossas fronteiras? A droga entra sem nenhuma fiscalização. E como o mercado interno vai se virar com a cocaína, que é cara? Fazendo crack”, afirma, alertando para o baixo custo, no Brasil, da mão-de-obra e dos produtos necessários para o refino. O blog #CentroAvante conversou com Ana Cecília sobre o aumento recente no consumo de crack, registrado por institutos de pesquisa, e saber de que maneira o poder público municipal poderia gerir com mais eficiência a questão da Cracolândia. 

  

Ana Cecília propõe a integração de secretarias municipais: “para a gente poder tirar o cara da rua e colocá-lo em um albergue especializado, uma vez que esses dependentes também não são aceitos nos albergues comuns” 

#CentroAvante: O Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack, lançado recentemente pelo Governo Federal, trará subsídios importantes para o encaminhamento da população que povoa a região do Campos Elíseos conhecida como Cracolândia? Ou será mais uma política sem resultados?
Ana Cecília Roselli Marques: O escritório da ONU responsável pela questão das drogas, o UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime), envia todo ano ao governo brasileiro um relatório avisando qual será a prevalência do consumo de drogas aqui e nos países vizinhos. E há muito tempo, pelo menos há oito anos, o governo tem sido avisado de que será preciso lidar com o aumento do consumo dos estimulantes, não só da cocaína, mas também das anfetaminas, como o ecstasy. Ele também recebe um relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde) que coloca álcool e tabaco no topo dos fatores responsáveis pelas doenças que acometem nossa população. Ora, é óbvio que o governo tem diversas prioridades, mas em nenhum momento nos últimos dez anos ele deu a devida atenção a essas informações. Se tivesse dado, teria aplicado uma fatia maior do dinheiro público no enfrentamento desse problema há mais tempo, buscando o controle de uma onda, já anunciada, de consumo do crack. O plano nacional, que eu chamo de “PAC do Crack”, olha só para o incêndio, quando poderia ter surgido antes como forma de prevenção. Sua visão é pontual e muito reduzida, assim como as medidas são o mais emergenciais possível. 

#CentroAvante: Como é a situação atual do Brasil no que se refere ao uso de drogas segundo o relatório do UNODC?
Ana Cecília: O consumo de drogas ilícitas vem aumentando a cada ano no Brasil. É o único pais da America Latina em que isso acontece segundo o relatório de 2009. Os outros países estacionaram ou reduziram o consumo. A gente está no centro de um continente plantador de cocaína. A cocaína é plantada na Colômbia, na Bolívia ou no Peru e é trazida para ser manufaturada aqui, porque aqui a mão-de-obra é barata, os produtos químicos utilizados para se obter a cocaína da planta são baratos. O Brasil tinha de olhar para essa geopolítica das drogas ao traçar seu plano de abordagem do problema. 

#CentroAvante: O crack não deveria ser o objeto central dessa política?
Ana Cecília: Não o seria se houvesse uma política de prevenção no Brasil. Ninguém começa fumando crack. A gente tinha de se preocupar com álcool e tabaco em primeiro lugar. O adolescente fuma um cigarro, depois um cigarro de maconha, depois se torna usuário de álcool, de cocaína e só na ponta vem a pedra de cocaína, que é o crack.  Como a gente não chega ao crack? Com uma política de prevenção, e não só com política assistencial, que é necessária agora porque vivemos um aumento desenfreado do consumo do crack. A gente só está olhando para a ponta do iceberg. 

#CentroAvante: A UNODC não tem uma rubrica exclusiva para o crack, incluindo-o nas estatísticas de cocaína e derivados. Como se pode quantificar esse aumento no consumo de crack a que a sra. se refere?
Ana Cecília: São feitos levantamentos nacionais.  Há dois levantamentos domiciliares feitos pelo Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Unifesp, um em 2001 e outro em 2005, segundo os quais dobrou o consumo de crack nesse período. Esses estudos são feitos nas capitais, apenas, mas valem como referência. E a cidade de São Paulo mantém a mesma evolução.  E o plano nacional tem uma visão parcial do problema ao ir apenas atrás do crack, quando tinha de se preocupar em redirecionar a atual política nacional anti-drogas, desenhada em 2004 e completamente ultrapassada. 

#CentroAvante: Trata-se de um pacote de propostas remediadoras?
Ana Cecília: Exatamente. Uma política anti-drogas deve incluir medidas preventivas, assistenciais e repressivas. O que está acontecendo nas nossas fronteiras para explicar esse aumento da disponibilidade da droga para o Brasil? A droga está entrando sem nenhuma fiscalização. E como o mercado interno vai se virar com a cocaína, que é uma droga cara? Fazendo crack, que é barato. A política tinha de discutir a economia e a geopolítica das drogas, porque aí a gente ia se preocupar com fronteira, com os produtos utilizados no refino, com todos esses detalhes.  Do jeito que está, eles podem investir os R$ 4 milhões divulgados que não vão resolver o problema do crack. 

  

A psiquiatra é contra a criação de leitos para dependentes em hospitais gerais: “Não há equipe treinada nem ambiente específico para isso” 

#CentroAvante: Que tipo de medida está sendo proposta?
Ana Cecília: Em geral, promete-se colocar mais dinheiro em estruturas que já existem. Não há nada novo. Vão colocar mais recursos no tratamento de dependentes, por exemplo, e na criação de leitos destinados ao tratamento de usuários de crack em hospitais gerais. Eu, particularmente, tenho uma série de restrições em relação a isso. 

#CentroAvante: Por quê?
Ana Cecília: O leito em hospital geral nunca foi possível sequer para álcool. Vai ser para crack, que é um paciente ultra-agitado e cuja síndrome de abstinência cursa com psicose, durante a qual o paciente fica muito dissociado da realidade e muito mais irritado do que os dependentes de álcool? 

#CentroAvante: Mas a internação em hospital geral é contraindicada porque o paciente tumultuaria o ambiente ou porque não funciona?
Ana Cecília: Não há equipe treinada nem ambiente específico para isso. Qualquer dependente de droga precisa de um ambiente calmo, silencioso e protegido, onde ele seja muito bem cuidado por uma enfermagem atenta o tempo todo. 

#CentroAvante: Igualzinho ao ambiente de qualquer hospital público.
Ana Cecília: (Risos) Idêntico. Eu fui clínica antes de me especializar em psiquiatria e jamais consegui internar um dependente de álcool em uma enfermaria. A enfermagem tinha medo dos pacientes, não sabia manejar, e os médicos do hospital não querem ficar com o paciente. Imagina de crack! Pergunta se o gestor quer? O meu sonho é que houvesse enfermaria para dependente em hospital geral, é tudo o que eu queria, porque haveria todos os especialistas ali para me ajudar. Mas, para isso, precisa mudar toda a cultura. Não vai dar certo pegando dinheiro do programa integrado de enfrentamento ao crack. É uma briga de foice, porque a lei está aí, com portaria federal e vereador propondo leis municipais no mesmo sentido e, por outro lado, médicos despreparados, enfermeiros (despreparados), o gestor fazendo contas (para calcular o prejuízo que vai ter) e no meio de tudo isso o coitado do paciente que vai continuar mal assistido. 

#CentroAvante: Sem o aumento do número de leitos, parte dos dependentes de crack que povoam a chamada Cracolândia vão continuar morando na rua, mesmo aqueles que desejam iniciar um tratamento de reabilitação?
Ana Cecília: Sim. Parece que é isso o que tem acontecido. Minha proposta seria a integração, a criação de um consórcio de instituições ligadas às secretarias de Saúde, Assistência Social, Justiça, todo mundo participando com um pedacinho, para a gente poder tirar o cara da rua e colocá-lo em um albergue especializado, uma vez que esses dependentes também não são aceitos nos albergues comuns. 

#CentroAvante: Precisaríamos, antes, criar esses albergues especializados?
Ana Cecília: Certamente. São as chamadas moradias assistidas, que existem em vários países e que já foram propostas aqui. A Unifesp criou uma na Vila Mariana e está começando a estruturá-la, em parceria com o Caps (Centros de Atenção Psicossocial do Município) e com equipes que se conversam. 

#CentroAvante: Os dependentes de crack só podem ser encaminhados para internação, seja nos hospitais gerais ou nas moradias assistidas, se concordar com o tratamento?
Ana Cecília: Não necessariamente. Se ele estiver em risco de morte ou colocar alguém em risco, as autoridades municipais podem tirá-lo da rua e encaminhá-lo para internação. Principalmente se for criança ou adolescente. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) protege qualquer instituição que queira cuidar de um indivíduo em vulnerabilidade. 

#CentroAvante: Resumindo, um pouquinho desses R$ 4 milhões poderiam ir para as moradias assistidas?
Ana Cecília: Ai, podiam, viu…

Em estudo em Brasilia a jornada escolar mínima de sete horas na rede pública

24 de agosto de 2010

 

O texto também prevê atividades opcionais extraclasse, após as sete horas diárias mínimas - nesse caso, as famílias e os próprios estudantes deverão decidir se querem ou não participar.

*Com informações de www.regiaonoroeste.com

A deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO) apresentou na última semana, uma proposta que estabelece que o governo deverá ampliar a jornada escolar para no mínimo sete horas diárias, de forma progressiva, até 2020. A medida valerá para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio.
Conforme o substitutivo, os estados e municípios terão dez anos para ampliar a jornada educacional brasileira. Para tanto, deverão contar com “apoio técnico e financeiro” da União.

A proposta também estabelece que os agentes públicos responsáveis pela ausência de crianças e adolescentes da escola serão responsabilizados. As penas previstas são de perda de cargo ou mandato e de inelegibilidade por oito anos.
A medida valeria, por exemplo, para diretores de escolas públicas que “descumprirem a ordem de matricular alunos, que embaraçarem o acesso do aluno à escola e que não fiscalizarem devidamente a frequencia do aluno”, conforme exemplos do próprio autor da PEC, deputado Alceni Guerra (DEM-PR).

www.twitter.com/Alceni_Guerra

Lixo é trocado por drogas

23 de agosto de 2010

Ex-catadores e agora traficantes revendem material reciclável por até R$ 50 o saco de 100 kg. Foto: Luiz Alves

Folha do Estado (MT)

 

As dependências do Aterro Sanitário de Várzea Grande, conhecido como “Lixão”, localizado a 5 quilômetros do trevo do Lagarto, estão sendo usadas por traficantes para o comércio de substâncias entorpecentes. É o que revelou uma investigação do Serviço de Inteligência do Comando Regional 2 da Polícia Militar. De acordo com o levantamento realizado pela PM, a droga que está sendo comercializada em pequenas quantidades no local é levada de bairros vizinhos como Jardim Eldorado, São Mateus e Cidade de Deus.

Os materiais recicláveis como garrafas PET, papelão, alumínio e plástico existentes no local são a moeda de troca que movimenta a ação dos traficantes de substâncias entorpecentes.

O comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel José Robson de Souza Figueiredo, disse que a Polícia Militar após descobrir o fato já está tomando as medidas necessárias para coibir o crime. “Esses traficantes estão infiltrados como catadores de lixo. Eles fazem o papel de atravessadores adquirindo os ‘begs’ de lixo [recipiente que armazena o lixo] que são trocados pela droga, que é levada em pequenas quantidades”. Os traficantes revendem às usinas o material reciclável no preço do mercado e pagam ao catador de lixo em ‘cabecinhas’ com valores menores do que o beg vale. O plástico é o produto mais caro. O saco de 100 quilos chega a R$ 50.

Os consumidores da pasta-base de cocaína que é comercializada no lixão são alguns catadores que são viciados em substância entorpecente. Já os traficantes são ex-catadores que residem nos bairros da região e ganham a vida vendendo a droga e os begs às usinas de reciclagem.

De acordo com as informações da Polícia Militar, o tráfico de drogas é o grande fomentador da violência e da criminalidade em Várzea Grande. Em 2010 foram cerca de 50 pontos de comercialização de entorpecentes (boca-de fumo) estourados nos bairros da cidade, que tem a segunda maior população do Estado de Mato Grosso, com cerca de 250 mil habitantes.

A PM informa que 1.223 trouxas de pasta-base de cocaína, um quilo de cocaína, 98 de maconha e 163 armas de fogo foram apreendidos nos sete primeiros meses de 2010. A polícia ainda listou 18 bairros com maiores índices de criminalidade conforme o número de ocorrências.

Serra contra o crack

20 de agosto de 2010

Confira os planos do candidato a Presidência da República, José Serra, no combate ao crack:

http://www.youtube.com/watch?v=hxYHDTN0IKk&feature=player_embedded

Brasil tem cerca de 900 mil usuários de crack, revela pesquisa

18 de agosto de 2010

Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que o Brasil tem cerca de 900 mil usuários de crack. Outro estudo da Universidade, realizado ao longo de 15 anos, aponta a morte de 30% dos dependentes da droga.

* Com informações do jornal O Dia Online

Aprovada PEC sobre Educação para Deficientes

17 de agosto de 2010

Aprovado nesta terça-feira (17) o parecer do relator, deputado Paulo Delgado (PT-MG), sobre a PEC 347, de autoria da deputada Rita Camata (PSDB-ES), que impede que as escolas recusem estudantes com deficiência maiores de 18 anos. A proposta garante acesso à educação especializada para portadores de deficiência sem imposição de limite de faixa etária e nível de instrução, preferencialmente na rede regular de ensino. De acordo com a autora da matéria, o poder público, em suas três esferas, tem deixado de garantir o acesso à educação básica, principalmente ao ensino fundamental aos portadores de deficiência maiores de 18 anos. O deputado Alceni Guerra disse que a aprovação do texto “é uma grande conquista da sociedade brasileira” e parabenizou a deputada Rita e o relator Paulo Delgado.